Um guia rápido para entender os Bowls do College Football

Um guia rápido para entender os Bowls do College Football

A temporada do College Football chega ao fim com a Bowl Season – realizada entre a segunda metade de dezembro e o início de janeiro. São alguns dias onde tudo acontece, jogadores se expõem a nível nacional e os campeões são decididos. Nós já temos um guia sobre como funciona a Bowl Season, mas a impressão tomada agora é de que tal tópico é muito longo e extenso. Portanto, a gente resolveu criar um guia mais rápido, curto, direto e reto para explicar as principais dúvidas de quem pretende assistir a pós-temporada do futebol americano universitário.

O que são os Bowls?

Bowls são os jogos de pós-temporada do futebol americano. São partidas criadas para ocorrerem em um determinado local com equipes convidadas a partir de determinados critérios estabelecidos pela NCAA e pela organização dos jogos e das conferências envolvidas. A maioria das partidas não possui nenhum valor em termos competitivos de decisão para título da NCAA, e não é errado chamá-las de partidas meramente amistosas.

Por que na FBS temos os Bowls e não um sistema de playoffs? Por razões históricas. A FBS se instituiu primeiro e a NCAA, inicialmente, se absteve de declarar um campeão nacional ou de um sistema que levasse a isso. Os Bowls acabaram sendo criados antes e, vendo nisso uma possibilidade de lucro, a NCAA passou a criar várias partidas de pós-temporada a partir da década de 80 em vez de criar um sistema de playoffs como nas divisões inferiores. Resultado: um sistema de playoffs na FBS nunca se criou e o título nacional até 2013 era realizado em uma única partida. Somente em 2014, a entidade instituiu um sistema de playoffs com 4 times, criado com o intuito de afetar o mínimo possível o sistema de Bowls já existente.

Quem participa?

Estão elegíveis para participar todas as equipes que vencerem pelo menos 6 jogos durante a temporada regular (que, por sua vez, conta com 12 partidas para a maioria das equipes) – há exceções. Isto não necessariamente significa que o time jogará, pois aí é feito um ajuste matemático. Para 2018, por exemplo, são 39 Bowls e 78 equipes para preencher as vagas. Neste caso, podem acontecer dois cenários:

1. Mais times elegíveis do que Bowls disponíveis

É o caso da maioria das temporadas e que em 2018 também se repetiu. Nesta temporada, 82 equipes se tornaram elegíveis e 4 times ficaram de fora: Southern Miss, Miami (OH), Wyoming e Louisiana-Monroe. A razão é matemática. Neste caso, ficam de fora as equipes cujas conferências tinham menos vagas para Bowls de equipes da sua conferência do que vagas disponíveis. Exemplo: a Sun Belt tinha 5 vagas para Bowls garantidas por contrato e 6 equipes elegíveis; a MAC tinha 7 equipes elegíveis e 6 Bowls. Louisiana-Monroe e Miami (OH), que foram as equipes elegíveis de pior campanha, não receberam convite.

2. Mais vagas disponíveis do que times elegíveis

É mais raro de acontecer e geralmente ocorre quando a NCAA aprova a criação de novos Bowls. Neste caso, todas as equipes elegíveis entram. Para as vagas que sobrarem, entrarão, primeiramente e caso haja:

  1. Equipe campeã de conferência com recorde negativo;
  2. Equipe campeã de divisão com recorde negativo.
  3. Equipe com 6 vitórias que esteja na seguinte condição abaixo:
  • Tenha recorde negativo (caso das equipes que joguem 13 partidas e fiquem com 6-7);
  • Tenha vencido duas equipes da FCS numa temporada (para termos de elegibilidade, somente uma vitória é considerada);
  • Tenha vencido uma equipe da FCS que não cumpra requisitos mínimos para contar para a elegibilidade.

Nos primeiros casos a entrada destas equipes é obrigatória, já que campeões de divisão ou de conferência possuem vaga automática garantida. São incomuns, assim como o caso 3. A NCAA estabelece alguns critérios para uma equipe ser elegível, porém eles podem ser ignorados caso faltem equipes disponíveis.

Caso ainda sobrem vagas, entra o critério 4:

4. Entram as equipes com campanha 5-7 de maior coeficiente acadêmico;

O coeficiente acadêmico é a nota média dos alunos da equipe de futebol americano nos seus cursos. Em um número que vai até 1000, chamam-se todas as equipes de maior coeficiente acadêmico até todas as vagas restantes serem preenchidas. A última vez que isso foi necessário foi em 2016, quando Mississippi State e North Texas, ambas com campanha 5-7 naquele ano, foram chamadas para preencher as duas vagas restantes.

Como ocorre a distribuição das vagas

1. Semifinais do College Football

Os 4 melhores ranqueados pelo comitê de seleção do College Football Playoff disputam as semifinais do College Football. O comitê avalia campanha geral, dificuldade do calendário e qualidade das vitórias para ranquear as suas equipes. Os 4 semifinalistas se enfrentam em esquema #1 vs. #4 e #2 vs. #3 em jogo único em dois dos seis Bowls de Ano Novo disponíveis: Rose, Sugar, Cotton, Orange, Fiesta e Peach. Estes Bowls se rotacionam anualmente: em 2018, por exemplo, as semifinais ocorrem no Cotton Bowl e no Orange Bowl.

O time ranqueado em #1 tem o direito de escolher em qual Bowl deseja disputar. Alabama, por exemplo, escolheu disputar a partida contra Oklahoma pela semifinal no Orange Bowl em 2018.

Estes são os únicos Bowls que valem alguma coisa de fato para definir o título nacional do College Football. Todos os demais Bowls abaixo podem ser considerados “amistosos”, já que não possuem nenhuma importância em termos reais.

2. Bowls de Ano Novo

Os Bowls que não são sedes de semifinais tem as suas vagas preenchidas da seguinte maneira (em itálico, as semifinais de 2018):

  • Rose Bowl: Campeão da Big Ten vs. Campeão da Pac-12
  • Sugar Bowl: Campeão da SEC vs. Campeão da Big XII
  • Orange Bowl: Campeão da ACC vs. Melhor não campeão da SEC ou da Big Ten/Notre Dame
  • Cotton Bowl: At-large vs. At-large/Melhor time do Group of Five
  • Peach Bowl: At-large* vs. At-large/Melhor time do Group of Five
  • Fiesta Bowl: At-large vs. At-large/Melhor time do Group of Five

Minidicionário de termos:

At-large: Qualquer equipe que não se encaixe como campeã de conferência ou melhor substituta de um campeão, caso esta vá para o College Football Playoff.

Group of Five: Grupo das cinco menores conferências da FBS. As conferências membras dele são: AAC (American), C-USA, MAC (Mid-American Conference), Mountain West e Sun Belt.

Das oito vagas restantes, há os Bowls com vagas que possuem preenchimento obrigatório (como o Rose Bowl e o Sugar Bowl) e há as vagas com preenchimento opcional. Estas de preenchimento opcional são as vagas at-larges. O comitê possui o direito de escolher quais equipes quiser para estas partidas, onde geralmente escolhe as melhores ranqueadas remanescentes (das vagas não obrigatórias para 2018, foram selecionados os times de ranking #7, #8, #9 e #11). Destas vagas, uma necessariamente precisa ir para o time de melhor ranqueamento do Group of Five.

Nos casos em que a equipe campeã de uma conferência atinge o College Football Playoff (como nos casos de Alabama e Oklahoma, que jogariam o Sugar Bowl se ficassem de fora do Top 4), o time de melhor ranqueamento de cada conferência que não atingiu playoff (no caso, Georgia e Texas) entra no lugar.

3. Demais Bowls

Somente a partir da definição das semifinais e dos Bowls de Ano Novo é que os demais jogos podem ser definidos. Os demais jogos são, em essência, formados por contratos entre conferências distintas. Exemplo: o Las Vegas Bowl é um contrato entre a Mountain West e a Pac-12. Nele, jogam o campeão da Mountain West (caso não jogue um Bowl de Ano Novo, se não fica para o segundo melhor time da conferência) e um time de ranking 6 ou 7 da Pac-12.

Cada conferência possui uma quantidade X de Bowls de seu direito e a sua escolha ocorre por ordem de prioridade, na maioria das vezes. Exemplo: enquanto o Rose Bowl é dado ao time de ordem 1 da Pac-12, o segundo time da ordem tem o direito de jogar o Alamo Bowl. Assim segue sucessivamente até encerrarem as vagas.

Existem Bowls que possuem contrato entre três conferências e a vaga é definida por meio de negociação. Em alguns casos, há revezamento mútuo de um ano para o outro pela vaga; em outros, avalia-se o cenário geral. Exemplo: uma das vagas no Independence Bowl é dividida entre SEC e ACC. Como a SEC colocou 4 equipes nos Bowls de Ano Novo (semifinal inclusa), a conferência cedeu a vaga no Independence Bowl de 2018 para Duke, uma equipe da ACC. Neste caso, a SEC tem mais vagas disponíveis do que equipes elegíveis – são 9 Bowls que a conferência possui contrato para apenas 7 times elegíveis que não disputam Bowls de Ano Novo.

Em outros casos, a definição das equipes nos Bowls de cada conferência valoriza a questão geográfica: se há um Bowl no estado da Flórida com uma equipe elegível de lá, é bem possível que uma equipe deste estado seja chamada para jogar esta partida. Outro exemplo de 2018 é o Texas Bowl, onde a texana Baylor jogará. E há um caso particular onde essa distribuição de vaga é obrigatória: por questões logísticas e de distância, Hawai’i sempre disputa o Hawai’i Bowl quando está elegível.

As vagas em Bowls que sobram das conferências (como no caso citado acima da SEC) são redistribuídas e preenchidas por equipes de outras conferências, nem sempre previstas originalmente em contrato. Em casos como o de 2018, os Bowls costumam preferencialmente convidar programas do Power Five. As equipes que não recebem convites ficam de fora.

E as equipes independentes? Cada uma possui um caso particular. Notre Dame, que é filiada à ACC, é considerada uma equipe do Power Five e pode jogar qualquer Bowl que a ACC possui direito. BYU tem um contrato especial com a ESPN americana e obrigatoriamente joga um Bowl caso esteja elegível. Ela pode ser redistribuída pra jogar qualquer partida, mas preferencialmente preenche alguma vaga vazia de conferência. Army, via de regra, só joga o Armed Forces Bowl quando está elegível. Já as demais são consideradas do Group of Five e podem preencher qualquer vaga destinada a uma equipe das cinco menores conferências.

Calendário de Bowls 2018

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O esporte em sua essência.