Como funciona a NCAA

Uma das perguntas mais frequentes que nos são feitas é: como funciona o College Football? É uma pergunta totalmente dotada de sentido, afinal o sistema universitário norte-americano de organização e ranqueamento das equipes é extremamente complexo e uma das principais razões que freiam o crescimento do futebol americano universitário no Brasil. Aqui explicaremos, de modo didático, como “funciona” a NCAA.

Ainda que existam organizações como a NAIA – National Association of Intercollegiate Athletics (rival da NCAA) e o sistema de junior colleges (grosso modo, escolas técnicas que permitem apenas dois anos de elegibilidade para os seus jogadores, enquanto que a NCAA permite que os atletas atuem por até quatro anos), o foco deste guia é explicar apenas sobre a NCAA, a maior entidade universitária do país.

Das equipes

Nos Estados Unidos, mais de 1 mil universidades possuem programas de futebol americano. Elas são divididas em quatro divisões:

  • Division I FBS – 1ª divisão;
  • Division I FCS – 2ª divisão (embora a NCAA diga que a FCS é uma subdivisão inferior da Division I e que estas formariam apenas uma divisão, sua forma de organização se assemelha mais com as das suas divisões inferiores do que com a sua divisão superior);
  • Division II – 3ª divisão;
  • Division III – 4ª divisão;

Diferentemente do Brasil, o que define se uma universidade estará na primeira ou na quarta divisão é o seu poderio financeiro: todas as grandes universidades públicas e a maioria das universidades privadas jogam na FBS. Quanto mais baixa a divisão, menores são as universidades, as suas respectivas capacidades financeiras e, consequentemente, piores são os jogadores recrutados e mais baixo é o nível técnico destas.

Bolsas de estudo

O ensino superior norte-americano é totalmente pago. Mesmo nas universidades públicas federais e estaduais é necessário pagar uma mensalidade para manter-se matriculado em uma das instituições – exceções dadas às academias militares – Army (Exército), Navy (Marinha) e Air Force (Força Aérea), que são gratuitas. Dados do HSBC do ano 2014 apontam que o custo médio de uma universidade – incluindo mensalidades e o custo de vida – é de cerca de 36 mil dólares anuais, valor inacessível para muitos estudantes. Muitos são obrigados a recorrerem a empréstimos estudantis – cuja questão tem sido bastante problemática e questionada nos últimos anos. Uma das únicas maneiras de estar isento destas taxas é receber uma bolsa de estudos para praticar um esporte por uma universidade. As bolsas podem ser totais ou parciais.

Na NCAA, os jogadores são, portanto estudantes-atletas: eles não recebem para atuar e precisam estar regularmente matriculados em um curso de graduação – contudo, não precisam pagar para estudar. Além disso, devem manter uma média – nos EUA conhecida como GPA (Grade Point Average) – na qual precisam manter desde o High School (Ensino Médio) e que é previamente estipulada pela universidade. Caso contrário, podem ser barrados de partidas de temporada regular e até mesmo de jogos de pós-temporada (também conhecidos como Bowls). Algumas universidades colocam um GPA mais baixo e cursos mais fáceis com o intuito de conquistar melhores atletas, muitos deles focados em jogar profissionalmente. Assim, estes jogadores podem se dedicar mais a atividades relativas ao futebol americano e não precisam se preocupar tanto com os estudos no curso escolhido.

O principal fator que difere as quatro divisões é a quantidade de bolsas que podem ser oferecidas. Cada uma possui um limite previamente estabelecido pela NCAA:

  • Division I FBS – 85 bolsas
  • Division I FCS – 63 bolsas (exceções: universidades da Ivy League e da Pioneer League, conferências nas quais as bolsas são proibidas, e Georgetown e universidades da NEC, cujo limite de bolsas é 45)
  • Division II – 36 bolsas
  • Division III – As bolsas são proibidas nessa divisão

As universidades podem ter mais jogadores do que bolsas de estudo a oferecer, mas os atletas excedentes terão que pagar pela universidade como qualquer outro estudante regularmente matriculado. No caso de equipes da FBS, geralmente jogadores de times especiais e jogadores de menor destaque não conquistam uma bolsa no seu ano de calouro, vindo a recebê-la apenas mais tarde. Jogadores que atuam em uma universidade sem receber bolsa de estudos são conhecidos como walk-ons.

High School, recrutamento e elegibilidade

Antes de entrarem para o nível universitário, todos os jogadores do High School devem ficar, no mínimo, 4 anos dentro de uma escola de ensino médio. Somados todos os esportes, apenas cerca de 480 mil dos 8 milhões de estudantes-atletas do High School se tornam jogadores na NCAA (dados da própria NCAA).

A gigantesca maioria dos jogadores sequer é ranqueada por sites especializados como Scout, 247Sports e Rivals. Porém, dos ranqueados, estes o são de 1 a 5 estrelas. Quanto melhor o jogador, mais estrelas este receberá. Os melhores geralmente recebem visitas dos próprios treinadores das universidades em suas casas, são convidados a visitar e conhecer a estrutura da universidade e são informados de benefícios e facilidades que terão caso escolham tal faculdade.

As universidades, por outro lado, em muitos casos chegam a fazer propostas para mais de 120 jogadores por temporada. Destes, entre 20 e 30 atletas são recrutados de fato por cada programa. Estes devem ter GPA (média de nota escolar americana) acima da média estipulada pela universidade para poderem ser recrutados.

No nível universitário, assim como no High School, todos os jogadores possuem quatro anos de elegibilidade, independentemente do curso e da sua duração. Eles são:

  • Freshman – calouro (1º ano);
  • Sophomore – segundo-anista (2º ano);
  • Junior – terceiro-anista (3º ano);
  • Senior – último-anista ou veterano (4º ano);

Há ainda a possibilidade de jogadores receberem a redshirt ou a greyshirt para “ganharem” um ano a mais de faculdade. Enquanto na redshirt o atleta fica totalmente inelegível por uma temporada, a greyshirt adia em um ano a adesão do atleta na universidade (esta segunda é mais rara e geralmente só é usada quando a equipe “estourou” a quantidade de atletas que podia recrutar em deteminada temporada, mas não quer perder o jogador). Em ambos os casos, eles ganham um quinto ano na faculdade. Jogadores que quiserem se declarar elegíveis para o Draft da NFL devem ser, no mínimo, juniors ou redshirt sophomores, cumprindo o requisito de ficarem pelo menos três anos fora do High School.

Os estudantes-atletas podem transferir-se de universidade em qualquer ano de elegibilidade. No entanto, este deverá ficar um ano inelegível e fora de partidas na sua nova universidade, a não ser que já tenha obtido o seu diploma na sua faculdade anterior, o que o credencia como graduate transfer a atuar imediatamente.

Ressalte-se que os estudantes-atletas sempre devem manter sua média nas matérias do curso em que estiverem matriculados. Caso contrário, podem ficar fora de partidas e até mesmo de jogos de pós-temporada. O próprio programa esportivo como um todo também precisa manter seu Academic Progress Rate (APR) – que é o conjunto das notas dos estudantes-atletas da universidade – acima de 930 (máximo de 1000) para não sofrer sanções da NCAA.

Para saber mais sobre como funciona o recrutamento dos atletas de ensino médio, confira este guia.

Dos times da FBS e das conferências

Para a temporada de 2018, 127 universidades mais três academias militares (Air Force, Army e Navy) disputam a Football Bowl Subdivision (FBS), a primeira divisão do College Football. Elas estão divididas em dez conferências: American (AAC), ACC, Big Ten, Big 12, C-USA, MAC, Mountain West, Pac-12, SEC e Sun Belt. Além disso, seis universidades não estão filiadas a nenhuma conferência: Notre Dame (nunca foi filiada a nenhuma conferência), Army (desde 2005), BYU (desde 2011), Liberty (desde 2018), Massachusetts (desde 2016) e New Mexico State. Destas seis, Notre Dame é considerada parte do Power Five pelo tamanho do seu programa e pelo fato de fazer parte da ACC na maior parte dos esportes e Army, BYU, Liberty, Massachusetts e New Mexico State são consideradas do Group of Five. Os motivos para cada universidade ser independente é distinto:

  • Army: Salvo uma experiência fracassada na C-USA no início dos anos 2000, tradicionalmente sempre foi independente. A rival Navy também era até se filiar à AAC;
  • BYU: Saiu da Mountain West pela baixa competitividade da conferência, o que comprometia as suas chances de brigar nacionalmente. O programa tentou se filiar à conferências do Power Five, como a Pac-12, mas esbarra em problemas como a tradição da religião mórmon de sempre guardar os domingos (BYU é uma faculdade religiosa), o que comprometeria alguns esportes, e o fato de nenhuma conferência do Power Five aceitar apenas o time de futebol americano na conferência. A questão geográfica também compromete a busca por outras conferências, como a Big 12;
  • Liberty: Recém-chegada à FBS em 2018, o programa tentou filiação à Sun Belt, mas a conferência rechaçou o pedido. Após isso, a universidade enviou um pedido para a NCAA a fim de subir para a FBS de maneira independente. O pedido foi aceito, com a exigência do programa realizar pelo menos três confrontos em casa contra equipes da FBS. A movimentação foi realizada em grande parte devido ao acesso da rival Coastal Carolina, que subiu para a FBS (e que joga na Sun Belt) em 2017;
  • Massachusetts: Também nova na FBS, o programa competia na MAC até 2015, quando saiu por desentendimentos internos. Sem estar à altura para competir numa conferência que concilie sua posição geográfica, o programa segue independente desde lá;
  • New Mexico State: Com a extinção da Western Athletic Conference (WAC) para o futebol americano em 2012, a universidade ficou órfã. Então, assim como Idaho, acertou um contrato de quatro anos com a Sun Belt somente para o futebol americano, que se encerrou em 2017 e não foi renovado. Por não ser um programa relevante e estar distante geograficamente de qualquer conferência do seu nível, o time não recebeu nenhuma oferta para entrar em uma nova conferência. Porém, os Aggies resolveram permanecer na FBS como independentes, enquanto Idaho desceu definitivamente para a FCS;
  • Notre Dame: Um dos programas mais tradicionais do College Football, Notre Dame é a única que de fato pode se dizer independente porque “quer”. Nos seus anos iniciais, a universidade ficou de fora da formação da Big Ten, o que seria determinante para o futuro do programa. Há muito tempo, a universidade possui um contrato muito lucrativo com o canal de TV americano NBC, que transmite os seus jogos. Como este é o único contrato no qual a NBC possui em relação ao College Football, já que ela não possui nenhum direito de transmissão das outras conferências, é estritamente necessário que Notre Dame se mantenha independente. Além disso, uma filiação completa a uma conferência comprometeria o calendário da equipe, que possui rivalidades por todo o território nacional, tais como USC, Stanford, Michigan, Navy e mais recentemente equipes como Florida State e Miami (FL). Para contornar esta situação, Notre Dame possui uma particularidade: o programa esportivo é filiado quase totalmente à ACC. Embora seja considerada independente no futebol americano, o contrato com a conferência prevê pelo menos cinco jogos anuais contra equipes da ACC, sendo considerada a “15ª equipe” da conferência.

As conferências ACC, Big Ten, Big 12, Pac-12 e SEC compõem o Power Five, grupo das cinco conferências mais fortes do futebol americano universitário. Já American, C-USA, MAC, Mountain West e Sun Belt compõem o Group of Five, grupo das cinco conferências de menor poderio financeiro se comparadas com o Power Five.

As conferências são definidas por dois critérios principais: questão geográfica e, sobretudo, poderio financeiro. A SEC, por exemplo, reúne as principais universidades do sudeste dos Estados Unidos. Já a Sun Belt é formada por times de regiões semelhantes, mas com poderio financeiro muito inferior. As universidades que quiserem filiar-se a uma conferência devem enviar uma candidatura para a conferência na qual manifestam interesse, e esta pode aceitar ou não. No caso de universidades independentes, a questão é simples; porém, quando envolve a saída de uma conferência e a entrada em outra, existem cláusulas que a conferência pode impor à equipe que a deixar, como multas recisórias e um aviso prévio com período pré-determinado, que geralmente é de um ou dois anos.

Até o final da temporada de 2015, as regras da NCAA estabeleciam que, para uma conferência ter uma final, ela necessariamente deveria ter no mínimo 12 equipes – número suficiente para estabelecer duas divisões, com seus respectivos campeões disputando a decisão. No entanto, as regras foram mudadas e não é mais necessário ter 12 equipes para ter uma final. A Big 12 teve sua primeira decisão de conferência desde seu encolhimento em 2017 e a Sun Belt fará o mesmo a partir de 2018, tendo duas divisões com cinco equipes. No caso da Big 12, os dois times de melhor retrospecto interno fazem a decisão.

Nos casos das conferências que possuem duas divisões, o critério principal para a tabela interna das divisões é a campanha dentro da conferência, e não o desempenho geral. Em caso de empate neste, os critérios seguintes são, não necessariamente nesta ordem e variando de conferência para conferência:

  • Confronto direto;
  • Campanha geral.

Como é montado o calendário das equipes

Todas as universidades podem atuar até 12 jogos por temporada – 13 se for Hawai’i ou enfrentar Hawai’i em confronto fora da conferência. Destes, quatro são fora da conferência (três se for da Big Ten, da Big 12 ou da Pac-12) e oito são intraconferência (nove se for da Big Ten, da Big 12 ou da Pac-12). Falaremos primeiro sobre o calendário fora da conferência.

Salvo exceções, confrontos entre times de conferências diferentes ocorrem nas primeiras semanas da temporada regular. Todas as universidades são livres para enfrentarem quaisquer adversários – com exceção das equipes da própria conferência – e as partidas são definidas em comum acordo entre duas universidades. Geralmente, times do Power Five utilizam os confrontos interconferência para enfrentar times do Group of Five ou até da FCS para garantir uma vitória na tabela e testar jogadores com, geralmente, contrapartida financeira. As universidades maiores pagam todos os custos da visitante – na quase totalidade dos casos, a universidade maior é mandante – e estas ainda recebem determinada quantia financeira para disputar a partida. As universidades menores agendam tais partidas mesmo sabendo que terão uma provável derrota porque, em muitos dos casos, precisam destes confrontos e do dinheiro pago por elas para manter o programa esportivo.

Com o advento do College Football Playoff, a quantidade de confrontos entre times fortes de conferências diferentes aumentou. Quando ocorrem, recebem grande importância a nível nacional. Explicaremos melhor posteriormente.

Já os confrontos intraconferência são feitos da seguinte maneira: nas conferências com divisões, todos os times da mesma divisão se enfrentam entre si e enfrentam determinado número de times da outra divisão que rotacionam anualmente. Exemplo: em 2014, Boise State enfrentou todos os times da sua divisão (Mountain) e jogou contra três times da divisão oeste: Fresno State, Nevada e San Diego State. Em 2015, Boise State voltou a enfrentar todos os seus rivais de divisão e jogou contra Hawaii, San Jose State e UNLV da outra divisão. Claro, existem diferenças entre as conferências: na ACC e na SEC, que possuem 14 equipes, uma universidade enfrenta todas as rivais de divisão, uma adversária da outra divisão – geralmente rival – anualmente e outro time da outra divisão que muda anualmente. Tennessee, por exemplo, enfrenta todos os rivais de divisão e Alabama, rival de conferência da outra divisão, anualmente. O oitavo time que eles enfrentam é o único que muda a cada ano.

No caso da Big 12, a única conferência sem divisões, todos os times se enfrentam entre si e os dois times de melhor retrospecto interno se enfrentam novamente na decisão. Já nas demais conferências, os campeões de cada divisão se enfrentam em jogo único – variando entre partidas em campo neutro, como a SEC, e partidas na casa do time da melhor campanha, como a C-USA – para definir o seu campeão.

Rankings, Top 25 e College Football Playoff

As universidades são ranqueadas com base em três critérios principais:

  • Campanha geral da equipe;
  • Força do calendário (strenght of schedule) que enfrentou;
  • Confrontos diretos.

O primeiro é óbvio. Quanto mais vitórias, mais alto ela estará ranqueada. O segundo é mais complexo. A força do calendário é o somatório geral da campanha dos adversários de uma equipe. Quanto mais vitórias acumuladas tiverem seus adversários, mais difícil – em tese – é a sua tabela. Porém, existe a dificuldade projetada e a dificuldade real. A dificuldade projetada avalia o desempenho dos adversários baseado no retrospecto da temporada anterior, enquanto a dificuldade real é o desempenho que os adversários de determinada equipe apresentam na mesma temporada. Qual a diferença? Existe a possibilidade da dificuldade projetada ser maior ou menor que a real.

Este é o principal motivo para programas do Group of Five quase nunca chegarem ao topo dos rankings. Com calendários mais fracos, pouco ou nada adianta vencer 10 ou 11 partidas, tal como os times do Power Five: a tabela fará com que um time da SEC com 11 vitórias esteja no Top 5 e um time da MAC figure – quando muito – no Top 25. Mesmo entre conferências do Power Five há discrepâncias: um time da SEC com 11 vitórias provavelmente estará melhor ranqueado que um time com 11 vitórias da Big Ten ou da Big 12 devido ao forte calendário da primeira. Este é um dos principais motivos que estão levando as universidades do Power Five a marcarem jogos fortes contra equipes de fora da conferência, pois assim a tabela ficará mais difícil e, caso o time supere todos os adversários, ele poderá ficar melhor ranqueado ao final da temporada. Ressalte-se que tais jogos começaram a ser combinados com maior frequência com o advento do College Football Playoff. Já os confrontos diretos – o terceiro critério – são aplicados apenas caso duas equipes que estejam empatadas com a mesma campanha tenham se enfrentado anteriormente.

Até 2013, as universidades eram ranqueadas por meio de três rankings: a Coaches Poll, a Harris Interactive Poll e rankings computadorizados, que ranqueavam os times de maneira totalmente algorítmica com base na campanha das equipes + dificuldade do calendário. Somados, os três rankings formavam o ranking oficial do BCS – sistema que definiu as posições das universidades no Top 25 até esse período. Durante o período no qual foi usado, os BCS Rankings foram duramente criticados justamente por este ranqueamento extremamente frio, apenas por números, e pelo alto favorecimento dado a equipes da SEC – tanto que, em 2011, a final nacional foi protagonizada entre dois times da conferência, LSU e Alabama.

No entanto, isso mudou com o estabelecimento do College Football Playoff: ao invés de apenas os dois primeiros irem para a final com os rankings citados acima, foi estabelecido um playoff com os quatro times melhor ranqueados pelo comitê de seleção do College Football Playoff. Este funciona da seguinte maneira: um comitê formado por 13 membros elabora seu Top 25 a partir da Semana 8 de cada temporada com base em pontos como a campanha geral, a dificuldade do calendário e confrontos diretos. O ranking final é a média dos rankings dos seus membros. Estes não são obrigados a assistir as partidas para tomarem suas decisões.

Os quatro times melhor ranqueados após o fim de semana das finais de conferência irão para as semifinais. O time #1 enfrenta o #4 e o #2 enfrenta o #3 e os vencedores se enfrentam no College Football Playoff National Championship em um local pré-determinado. As semifinais ocorrem em dois dos seis principais Bowls do College Football: Cotton, Rose, Fiesta, Sugar, Peach e Orange Bowl. Todos os anos, os bowls-sede mudam: em 2018, o Cotton e o Orange Bowl sediam as semifinais.

Quando estes seis Bowls não são sede de uma semifinal e desconsiderando equipes que forem aos playoffs, os confrontos são os seguintes:

  • Rose Bowl: Campeão da Big Ten vs. Campeão da Pac-12
  • Sugar Bowl: Campeão da SEC vs. Campeão da Big XII
  • Orange Bowl: Campeão da ACC vs. Melhor não campeão da SEC ou da Big Ten/Notre Dame
  • Peach Bowl: At-large* vs. At-large/Melhor time do Group of Five
  • Cotton Bowl: At-large vs. At-large/Melhor time do Group of Five
  • Fiesta Bowl: At-large vs. At-large/Melhor time do Group of Five

*At-large: Equipe que não se encaixa em nenhum dos outros pontos, como campeão de conferência. Pode ser um não-campeão do Power Five ou mesmo um time do Group of Five.

PS1: O melhor time do Group of Five jogará um desses três Bowls.

PS2: Caso o campeão da conferência vá para o College Football Playoff, o time de segunda melhor campanha da conferência assume a vaga – não necessariamente o vice-campeão.

Explicaremos sobre os demais Bowls na seção abaixo.

Como funciona a Bowl Season

Para um time poder ser elegível para disputar um Bowl Game, é necessário que ele tenha, no mínimo, seis vitórias – e para fins de elegibilidade, somente uma vitória sobre equipes da FCS pode ser contada. No entanto, isso não é garantia de que irá disputar um: caso a quantidade de jogos de pós-temporada for inferior à quantidade de times, algumas equipes ficarão de fora. O contrário também pode ocorrer e pode acontecer que sobrem equipes. Neste caso, aplica-se o Academic Progress Rate (APR), que é o coeficiente acadêmico dos estudantes-atletas da universidade. Os times com cinco vitórias que tiverem APR mais alto suprem a falta de times com seis vitórias e os convites para a pós-temporada sempre se iniciam pela equipe que possuir coeficiente acadêmico mais alto. Como na pós-temporada de 2015 três universidades com campanha 5-7 (Minnesota, Nebraska e San Jose State) foram para a Bowl Season, a NCAA suspendeu a criação de novos Bowls até 2019.

Já os Bowl Games nada mais são do que partidas de pós-temporada combinadas por contrato mútuo entre duas ou mais conferências posteriormente referendada pela NCAA. Hoje existem 39 Bowls e, com exceção dos seis principais, todos os outros são contratos individuais entre conferências. As conferências do Power Five são as que mais têm contratos com Bowls, com a SEC como recordista e a Sun Belt como a que menos jogos têm direito, com apenas quatro partidas garantidas.

A ótica das partidas de pós-temporada funciona da seguinte maneira: quanto mais próximo do ano novo, mais importante é o jogo. Do mesmo modo, times de melhor campanha tendem a disputar os jogos mais importantes e as equipes de pior campanha tendem a jogar partidas menos importantes – geralmente Bowls mais novos, com menos tradição.

Para saber de maneira mais detalhada a história e como funciona a Bowl Season, temos este guia.

Diferenças de regra da NCAA para a NFL

O modelo de regras da NCAA é extremamente importante pois ele é modelo para os livros de regras do esporte no mundo todo. Por ser diferente da NFL, que possui um nível totalmente diferente de todas as outras competições, algumas regras são diferentes:

  • Na NCAA, é necessário ter apenas um pé dentro do campo para que uma recepção seja válida. Na NFL, é necessário ter os dois;
  • Na NCAA, basta ter contato com o joelho ou outra parte do corpo no chão que não sejam mãos ou pés por parte do jogador que estiver com a bola para que a jogada seja dada como terminada. Na NFL, é necessário que o jogador com a bola esteja no chão e sofra contato do adversário – o famoso down by contact;
  • O relógio para quando um first down é convertido e só volta a rodar quando a bola for reposicionada novamente pelo árbitro;
  • As tentativas de ponto extra são feitas na linha de 3 jardas para field goals ou conversões de dois pontos. Na NFL, a bola é posicionada na linha de 15 jardas para field goals e na linha de 2 jardas para conversões de 2 pontos;
  • Salvo raras exceções – como problemas no relógio do estádio – não existe two-minute warning no College Football;
  • Não há empate no College Football. Todos os jogos que terminarem no tempo regulamentar empatados têm prorrogação, que funciona no formato shootout: um time começa com a posse da bola na linha de 25 jardas do campo de ataque sem relógio de partida, apenas com o relógio da jogada. Depois, será a vez do adversário. Se a partida persistir empatada, faz-se uma segunda prorrogação, mas o time que atacou por segundo antes desta vez atacará primeiro. Persistindo o empate, serão realizadas tantas prorrogações quanto forem necessárias. A partir da terceira prorrogação, as equipes são obrigadas a arriscar a conversão de 2 pontos após todo os touchdown anotado;
  • Se uma falta de conduta anti-desportiva for realizada pelo time de ataque, esta jogada resultar em touchdown mas for cometida antes da bola de atravessado a linha do gol, o touchdown é anulado e é anotada falta de 15 jardas imediatamente. Na NFL, o touchdown é validado e é aplicada falta de 15 jardas no kickoff;
  • Se um jogador de uma equipe cometer uma falta no minuto final de jogo apenas para parar o relógio, o time adversário tem a opção de escolher por subtrair 10 segundos do relógio, além da própria penalidade, caso o time adversário não disponha mais de pedidos de tempo. Na NFL, a penalidade se aplica apenas ao ataque;
  • Faltas de interferência de passe defensiva são punidas com falta 15 jardas ou no ponto da falta caso o ponto da falta seja anterior às 15 jardas. Na NFL, a falta de interferência de passe ocorre no ponto da falta, independente da distância;
  • Em chutes, um jogador de linha ofensiva não pode ser atacado por mais de 2 jogadores. Caso isso aconteça, é dada falta de 5 jardas;
  • Jogadores que estão fora da tackle box (alinhados a mais de 7 jardas do center) podem bloquear abaixo da cintura somente se o bloqueio for para frente ou para a linha lateral mais próxima;
  • Tackles dados de maneira proposital com a coroa do capacete contra a cabeça ou pescoço do jogador adversário, sobretudo caso o mesmo esteja incapaz de se proteger, é falta de targeting, cuja punição é de 15 jardas e resulta na expulsão do atleta executor do tackle; A regra não existe na NFL.

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