Preview: CFP National Championship – #1 Alabama vs. #2 Clemson

Preview: CFP National Championship – #1 Alabama vs. #2 Clemson

Horário: 23 horas (Horário de Brasília)
Local: Levi’s Stadium, Santa Clara, California
Cotação: Alabama é favorita por 5,5 pontos
Transmissão: ESPN e Watch ESPN

A hora da decisão chegou. E pela terceira vez em quatro anos, os finalistas são os mesmos. Alabama busca entrar na história para conquistar seu 16º título nacional. Clemson busca o tricampeonato e quer desbancar Bama novamente numa final. Tudo isso com transmissão da ESPN na noite desta segunda (7).

A partida marca o fim da temporada de 2018 do College Football. Depois de hoje, só em agosto.

O caminho dos finalistas

#1 Alabama Crimson Tide (14-0, 8-0 na SEC)

Atual campeã nacional, a equipe teve poucos obstáculos no decorrer da temporada. Venceu uma fraca Louisville na estreia por fáceis 51-14 e abriu 8-0 com absoluta facilidade. O primeiro grande desafio foi contra LSU fora de casa na semana 10, mas o Crimson Tide conseguiu superar o desafio com uma defesa dominante e, mesmo com o quarterback Tua Tagovailoa tendo lançado sua primeira interceptação na temporada nesta partida, o time venceu por 29-0. Venceu Mississippi State em casa na sequência por 24-0, Citadel (FCS) por 50-17 (1ª vez na temporada que entrou no intervalo sem estar vencendo) e a rival Auburn por 52-21 para fechar a temporada regular com 12-0. Todas as 12 vitórias do calendário regular foram conquistadas por mais de 20 pontos de diferença, feito somente repetido por Yale em 1888.

A final da SEC foi contra Georgia e foi aí que o drama começou. Os Bulldogs impuseram grandes dificuldades ao Crimson Tide e chegaram a estar vencendo por 28-14 no 3º período (e poderia ter virado 31-14 se o kicker de Georgia não tivesse errado um Field Goal fácil). Tagovailoa fez um jogo abaixo do esperado e foi dominado pela defesa dos Bulldogs, tendo lançado duas interceptações na partida. Saiu lesionado no 4º período para Jalen Hurts, que virou a cinderela da partida e conduziu o time a dois touchdowns no fim do jogo para virar o jogo para 35-28.

O time terminou em #1 nos rankings do comitê e enfrentou Oklahoma pela semifinal no Orange Bowl. Alabama começou a partida com tudo e abriu 28-0 ainda no 1º quarto, se aproveitando da fragilidade defensiva dos Sooners e da falta de adaptação de Kyler Murray e seu ataque a uma defesa poderosa. Os campeões da Big 12 reagiram, mas o ataque de Alabama pontuou nas campanhas finais para impedir que Oklahoma encostasse no placar. Vitória por 45-34 e vaga garantida na decisão pelo 4º ano consecutivo.

#2 Clemson Tigers (14-0, 8-0 na ACC)

Também encarou poucos obstáculos, que foram mais presentes no início da temporada. Após vencer Furman na estreia, o time sofreu para vencer Texas A&M fora de casa por 28-26. Devido a péssima atuação do quarterback Kelly Bryant na semana 3, Dabo Swinney nomeou o calouro Trevor Lawrence para o seu lugar a partir da semana 4 em uma mudança traumática: logo após saber que seria colocado no banco, Bryant anunciou a sua transferência da universidade (posteriormente ele anunciou a sua ida para Missouri).

O segundo grande desafio da equipe veio contra Syracuse, algoz de Clemson em 2017 (foi o único time que bateu Clemson na temporada regular passada). Com uma atuação fraca, o time esteve perdendo na maior parte do jogo e ainda perdeu Trevor Lawrence por lesão. Chase Brice, inicialmente o 3º quarterback da equipe na temporada, liderou os Tigers a uma virada sofrida por 27-23, conquistada no último minuto da partida.

Depois disso, Clemson não encarou mais dificuldades. O time conduziu uma campanha tranquila de 12-0 na temporada regular. Na final da conferência, encarou a fraca Pittsburgh, na qual venceu por fáceis 42-10. O time acabou ranqueado em #2 pelo comitê e encarou Notre Dame na semifinal. Em uma atuação tranquila e segura, os Tigers não deram nenhuma chance para o azar e venceram por 30-3. Será a terceira final nacional dos Tigers em 5 anos de College Football Playoff.

Matchups da partida

É possível dizer que os dois melhores conjuntos do College Football chegaram à decisão, tendo provado as suas razões para terem chegado até aqui. Os matchups que encontraremos na final serão muito interessantes de se assistir. Quem levar a melhor nos 3 matchups a seguir deve faturar o título.

1. Linha ofensiva de Alabama vs. linha defensiva de Clemson

De longe o matchup mais esperado da partida. A linha ofensiva de Alabama sempre foi dominante e poderosa e nesta temporada não foi diferente em nenhum instante. Foram apenas 14 sacks cedidos nesta temporada, a 10ª menor média do país. Porém, do outro lado há provavelmente a melhor linha defensiva do país e que não deixará Tua Tagovailoa em paz: Clemson anotou impressionantes 52 sacks nesta temporada, a melhor média da FBS.

A unidade dos Tigers é simplesmente impressionante e todos os seus titulares possuem calibre de NFL: Clelin Ferrell, Christian Wilkins e Austin Bryant. Isso sem contar Dexter Lawrence, fora da final por ter sido pego no antidoping (já tinha ficado de fora da semifinal por esta razão). Alabama raramente foi testada contra linhas defensivas fortes e isso pode ser um problema, sobretudo se o jogo terrestre não funcionar.

2. Linha ofensiva de Clemson vs. linha defensiva de Alabama

Matchup de glamour menor, mas não menos importante. A linha ofensiva Clemson cedeu apenas 17 sacks na temporada e protege muito bem o quarterback, mas Alabama sempre foi uma potência pelo lado defensivo. A unidade de Bama anotou 45 sacks na temporada e também está entre as melhores do College Football. Clemson também poderá encarar problemas caso o jogo terrestre não dê certo.

3. Os quarterbacks vs. as secundárias adversárias

Tua Tagovailoa e Trevor Lawrence são quarterbacks bem jovens (Tagovailoa tem 20 anos, Lawrence tem 19), mas já carregam imensas responsabilidades. Dos dois, Tagovailoa é o mais evoluído por ser segundo-anista. Na hora de decidir, chamou a responsabilidade para si: entrou no intervalo da decisão na temporada passada no lugar de Jalen Hurts e conduziu a equipe a uma virada épica e ao título nacional.

Titular desde então, fez uma temporada de ouro, vencendo o Maxwell Award e o Walter Camp Award. Só faltou o Heisman, que ficou com Kyler Murray. Trevor Lawrence é o calouro que Tagovailoa foi na temporada passada, mas chegou à titularidade antes. Porém, não teve o peso de encarar uma conferência tão forte e se desenvolveu tranquilamente até aqui. Ele ainda será um grande quarterback, mas por enquanto ainda é, de certa forma, coadjuvante.

Tagovailoa é um excelente quarterback, mas terá seu desafio mais difícil como quarterback titular até aqui: a linha defensiva de Clemson é poderosa, facilmente capaz de sacá-lo rapidamente e colocá-lo em situações complicadíssimas de passe. Devido a isso, a secundária de Clemson acabou não sendo tão testada, mas não se engane: ela é boa também. Pelo lado positivo, possui mais desenvoltura para lidar com tal situação.

Lawrence é mais um pocket passer, o que limita um pouco as ações ofensivas. A sua qualidade principal como calouro foi ceder poucos turnovers, mas estará diante de uma secundária extremamente forte do outro lado. Será de suma importância que não seja exposto a situações complicadas de passe, o que pode implicar em erros de leitura (e consequentes interceptações) ou sacks. Lawrence ainda será o que Tagovailoa é hoje ou até mais, mas hoje ele ainda é um quarterback em evolução e que precisará de tempo para chegar ao mais alto nível possível.

Em toda a sua carreira universitária, Nick Saban só perdeu para 3 times com quarterbacks calouros como titulares: Herb Tyler (LSU) em 1995 (quando ainda comandava Michigan State), Chris Leak (Florida) em 2003 (quando comandava LSU) e Wesley Carroll (Mississippi State) em 2007 (já em Alabama). Lawrence pode ser o quarto. Outros 7 QBs também estiveram nesta situação contra Saban, mas perderam.

PS: controle de relógio de batalha dos turnovers também serão pontos-chave para a partida.

Os técnicos

Nick Saban e Dabo Swinney, os protagonistas da terceira decisão em 4 anos entre as duas equipes, possuem anos de início semelhantes em seus programas atuais, mas histórias diferentes.

Saban é técnico de Alabama desde 2007. Sua história, porém, é mais longa. Foi defensive back de Kent State entre 1970 e 1972. Em 1973, já era assistente graduado da sua alma mater. Passou por várias posições até assumir seu primeiro cargo como técnico em Toledo em 1990. Foi para a NFL no ano seguinte, onde foi coordenador defensivo do Cleveland Browns entre 1991 e 1994. Voltou para o College Football em 1995 em Michigan State e em 2000 assumiu LSU, onde ficou até 2004. Em 2003, conquistou seu 1º título nacional ao vencer Oklahoma no Sugar Bowl.

Em 2005, assumiu o Miami Dolphins no seu desafio mais traumático de sua carreira. Após uma temporada inicial ok, Saban tentou uma troca pelo quarterback Drew Brees, a qual foi frustrada com a negativa da diretoria dos Dolphins. A péssima temporada em 2006 fez Saban aceitar a proposta de Alabama para retomar o programa às glórias. Saiu melhor que a encomenda: foi campeão nacional em 2009, 2011, 2012, 2015 e 2017. Se for campeão nesta segunda, se tornará o técnico com mais títulos nacionais na história do College Football, com 7, e superará outra lenda de Alabama: Bear Bryant.

Dabo Swinney foi wide receiver em Alabama entre 1990 e 1992. Depois de formado, ficou em Alabama como assistente até 2000, de onde migrou para Clemson em 2003. Lentamente foi subindo posições até atingir o posto de técnico principal em 2008, um ano depois de Nick Saban. Antes um programa de nível médio dentro da ACC, Swinney transformou a equipe em um programa de altíssimo nível. Em 11 anos no comando de Clemson, não obteve nenhuma campanha negativa e conquistou 5 títulos da ACC, 4 idas ao College Football Playoff e 1 título nacional. Não se engane, Swinney percorreu um caminho até maior do que Saban.

Histórico

  1. Alabama e Clemson se enfrentaram 18 vezes na história, com 14 vitórias de Alabama e 4 vitórias de Clemson. Os Tigers venceram os 3 primeiros confrontos, todos eles antes da era do passe para a frente: 1900, 1904 e 1905. Depois disso, salvo a final de 2016, só deu Alabama, que possui a maior vitória do confronto, um 74-7 sobre Clemson em 1931. O último confronto entre as equipes em temporada regular foi em 2008. Com Nick Saban em seu 2º ano em Tuscaloosa e Dabo Swinney estreando no comando dos Tigers, Alabama venceu o confronto por 34-10.
  2. Alabama participou de todas as 5 edições do College Football Playoff. Após ser eliminada por Ohio State na semifinal de 2014, o time foi campeão em 2015 e 2017, sendo vice em 2016. Já Clemson participou de todas as edições desde 2015, sendo o 2º participante mais frequente dos playoffs (atrás somente de Alabama). Foi vice em 2015, campeã em 2016 e caiu na semifinal em 2017.
  3. No College Football Playoff, foram 3 confrontos, dois deles em decisões. Na final de 2015, deu Alabama: 45-40. Em 2016, Clemson se vingou: com Deshaun Watson em seu último jogo com um tiger, Dabo Swinney e cia. se vingaram e venceram por 35-31, com o touchdown da virada sendo anotado a 1 segundo do fim em passe para Hunter Renfrow (que curiosamente fará seu último jogo em Clemson nesta segunda). Em 2017, os times se enfrentaram nas semifinais no Sugar Bowl. Com forte domínio defensivo de Alabama, Clemson não teve chance e perdeu por 24-7.

O local da decisão

O Levi’s Stadium é localizado em Santa Clara, na Califórnia, e tem capacidade para 68,5 mil torcedores. Foi inaugurado oficialmente em 2014 e é o estádio do San Francisco 49ers na NFL desde lá. O estádio substituiu o antigo Candlestick Park para a equipe californiana e sua construção custou cerca de 1,3 bilhões de dólares. O Levi’s Stadium foi sede do Super Bowl 50, onde o Denver Broncos derrotou o Carolina Panthers na decisão.

No College Football, o estádio também é sede anual da final da Pac-12 desde 2014. Em 2015, foi anunciado oficialmente que o estádio seria a sede da final nacional de 2018 do College Football. A intenção foi boa, mas o resultado foi problemático: a última final da Pac-12 entre Washington e Utah, sem nenhum time do estado, reuniu apenas 35 mil torcedores. Já para a final, a distância para as fan bases percorrerem é bem maior. A distância de Tuscaloosa para Santa Clara é de 3.688 quilômetros, enquanto que os torcedores da cidade de Clemson terão que viajar 4.164 quilômetros até o local da final, o que puxou o preço dos ingressos para baixo. Ainda assim, a previsão é de estádio lotado para o confronto.

Palpites

“Alabama e Clemson são os dois times mais completos do College Football por uma larga margem. Não à toa, são os que chegaram à grande final. Possuem grandes quarterbacks em Tua Tagovailoa e Trevor Lawrence, excelentes linhas defensivas e secundárias que funcionam. Como saber quem leva vantagem nesse confronto? De um lado, toda a genialidade de Nick Saban, de outro, o programa com maior ascensão nos últimos anos. Aposto em muito equilíbrio, mas no final, mais um título para Alabama. Afinal, como ir contra Saban em uma decisão?” – Carlos Massari, jornalista e ex-escritor do College Football Brasil

Na opinião do jornalista que vos escreve, já adianto: é uma partida repetida, mas será um jogo muito bom – tão bom quanto as finais de 2015 e 2016. São os dois melhores times e ambos têm perfeitas condições de vencer. Vale a pena assistir. Palpite? Alabama, mesmo a contragosto (torço para Tennessee, rival de Alabama).

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felipe-michalski

Estudante de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria e criador do College Football Brasil. O College Football é uma loucura, então não tenha problemas cardíacos. Go Vols!